WESTCHESTER, NY: Elas são mulheres e estão à frente de associações lusas no ‘Estado Império

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    O movimento associativo português no condado nova-iorquino de Westchester, conta em 2014 com três mulheres no cargo de presidente. Em Yonkers, naquela que é a mais dinâmica colectividade da região, Cristina Marques comanda pelo 3.º ano consecutivo os destinos do Portuguese-American Community Center; na cidade de New Rochelle, Anália Beato voltou à presidência do Portuguese-American Club e na vila de Ossining, mais a norte, Odete Ferreira é a nova dirigente do Centro Português local.

    Muito embora existam antecedentes no tocante a mulheres eleitas para cargos de chefia comunitária em Westchester, não deixa de ser invulgar, num mesmo ano, três delas estarem ao comando de associações. Associações das quais duas enfrentavam situações precárias – nomeadamente Ossining, que esteve três meses encerrada, e New Rochelle, que rema contra algumas dificuldades financeiras.

    “O meu envolvimento prende-se com a vontade de atrair a juventude luso-americana à vida portuguesa”, afirma Anália Beato, em entrevista ao LUSO-AMERICANO. “É importante mantermos as nossas tradições, transmitindo-as às novas gerações.”

    Beato assumiu pela se-gunda vez a presidência do PAC de New Rochelle, que, apesar de contar agora com menos de uma centena de associados, mantém uma escola portuguesa – a Francisco Sá Carneiro – em funcionamento. O clube foi fundado no final da década de 30 do século passado e possui uma sede social na Fourth Street, onde se fizeram obras de melhoramentos em anos recentes. Anália Beato fora presidente em 1999, a primeira mulher naquela colectividade a assumir o cargo, e sentiu que estava na hora de voltar à vida associativa de forma mais dinâmica.

    A emigrante de Rio Meão, Aveiro, vive desde 1984 nos EUA, é casada e mãe de dois filhos e actua a nível profissional no ramo da ourivesaria.

    Para Odete Ferreira, os corredores das direcções associativas não são totalmente estranhos; apesar de ter assumido o cargo de presidente do Centro Português de Ossining pela primeira vez, tem experiência acumulada como voluntária junto da Academia do Bacalhau de New York.

    “Sou uma mulher de desafios”, afirma, para explicar o facto de ter aceitado ficar com as rédeas do Centro, que esteve recentemente três meses encerrado por falta de voluntários. “Acho que está na hora de dar o meu contributo à comunidade e espero fazê-lo com o apoio de todos.”

    Ferreira nasceu em Ribalonga, Trás-os-Montes. Emigrou em 1998 para os EUA e faz carreira no mundo da venda de vinhos em grande parte para o mercado étnico português. Tomou posse a 16 de Fevereiro e já prevê um ano de muitas actividades.

    A organização que dirige, com sede na Waller Avenue, surgiu na década de 70 do século passado e, para além da Escola ‘Rainha Santa Isabel’, engloba ainda uma secção desportiva.

    A presidente considera já não existirem preconceitos a nível da comunidade portuguesa no que diz respeito ao facto de mulheres assumirem a presidência de clubes. “Eu até sinto que tenho todo o apoio dos homens”, repara.

    À comunidade em geral, e aos sócios em particular, Odete Ferreira pede “so-li-da-rie-da-de” – diz, soletrando a palavra. “Solidariedade e o apoio de todos para ultrapassarmos a crise. A união faz a força.”

    Cristina Marques concorda com a noção de que no seio das nossas comunidades já não se duvida das capacidades de chefia das mulheres. “É um problema ultrapassado”, garante. “O mais difícil, mesmo, nesta tarefa, é a complexidade de ter de lidar com diferentes maneiras de encarar o mundo, com visões opostas, e no final encontrar consensos.”

    Cristina Marques nasceu em Covões, Cantanhede, e veio para a América com apenas 11 anos de idade. Depois de experiência como voluntária na Igreja Nª Srª de Fátima em Yonkerrs, em 2012 foi eleita presidente no PACC de Yonkers pela primeira vez. E reeleita desde então. O Centro alberga a Escola João de Deus, o Rancho Folclórico ‘Amigos do Minho’, uma escola de concertinas e uma secção desportiva ligada ao futebol. O PACC, que se aproxima do seu 90.º aniversário, tem agora mais de 500 associados.

    A presidente, proprietária de um salão de beleza e spa em Yonkers, diz não se importar com os obstáculos que lhe vão aparecendo enquanto presidente do Centro. E diz a terminar: “As críticas, desde que construtivas, são sempre bem-vindas.”