Tem uma relação saudável com o Facebook?

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    O Facebook é uma ferramenta poderosa para nos ligar ao mundo. Se já reencontrou um velho amigo da escola, desaparecido do radar há anos, se o seu negócio passou, de repente, a ter mais clientes, se pode contar com ele para manter o contacto com familiares e amigos que moram no estrangeiro, sabe do que falamos. Mas, como não há rosa sem espinho, o Facebook tem também, tal como outras redes sociais, as suas desvantagens. Eis algumas atitudes das pessoas que têm uma relação saudável com esta rede social.

    – Conseguem dominar a tendência para coscuvilhar as vidas dos outros. O Facebook desperta o mirone que há em todos nós, aquele tipo que adora saber da vida dos outros, ver as fotos da colega de trabalho na festa de sábado à noite, o que anda a fazer o ex-namorado e quem é a sua nova conquista, seguir um ídolo, uma paixão ou um ódio de estimação. Se seguíssemos alguém, no mundo real, da mesma forma como muitas vezes o fazemos sob o anonimato da Internet, punham-nos uma ordem de tribunal em cima para não nos chegarmos perto deles num raio de 300 metros. O ano passado, um estudo alemão avaliou 584 pessoas que usavam o Facebook apenas para procurar e ler as actualizações de estado dos outros, e não para comunicar. Percebeu que estavam em maior risco de sofrer psicologicamente do quem comunica activamente através dele.

    – Não têm medo de estar a perder alguma coisa online. Os estudiosos da comunicação online chamam-lhe FOMO (“fear of missing out”, ou o medo de ser excluído, de estar a perder alguma coisa importante). Os especialistas de saúde mental sugerem que, se este é o caso, se faça um exercício de análise sobre como estamos a aproveitar realmente o nosso tempo livre. E se a ansiedade de não estar online é assim tanta, sempre que não pode ler as suas notificações ou actualizar o estado da sua conta, então é melhor fazer um desmame de Internet.

    – Comunicam através de outros meios. As pessoas com uma relação saudável com o Facebook não fazem dele a sua principal ferramenta de comunicação. Em vez de fazerem um like na foto da amiga com os filhos, ligam-lhe a perguntar como está a família ou mandam um email, formas mais pessoais de comunicar à distância – e tão ou mais fáceis de usar. É claro que é mais fácil fazer um like ou pensar numa frase simpática para um comentário do que dizermos o mesmo a alguém, espontaneamente. Mas isso não corresponde aos 100% que perfazem a nossa comunicação com os outros e que também é feita de sons, de gestos, de expressões faciais, de carinho.

    – Têm noção de que estão há demasiadas horas no Facebook. Se começa a sentir que passa demasiadas horas por dia no Facebook ou online, e que isso lhe está a roubar tempo para outras actividades, há aplicações curiosas e úteis que lhe podem dar uma noção mais precisa, como o Time Tracker, que encontra no Google Chrome. A revista Time também desenvolveu uma aplicação que diz exactamente quantas horas e dias passámos no Facebook desde que criámos conta – e os resultados podem surpreendê-la… ou até assustá-la.

    – Usam as definições de conta para manterem a sua privacidade. Quando foi a última vez que deu uma olhadela às definições de privacidade da sua conta de Facebook? Podemos ter a noção de que temos o controlo sobre quem vê as nossas publicações, quando, na verdade, elas podem estar visíveis para os amigos dos amigos ou para o público em geral. Nas definições de conta pode estabelecer que só os seus amigos podem ver as suas fotografias, dados pessoais ou atualizações de estado, ou até escolher, de entre eles, um lote de pessoas selecionadas que tenham acesso a determinado tipo de conteúdos. Manter a privacidade online é essencial e, muitas vezes, temos uma noção errada de estarmos protegidos no Facebook. Por isso, também é preciso ter cuidado com o que publicamos.

    – Têm a noção de que o Facebook não representa necessariamente a vida real. Ou aquilo que os outros são e sentem realmente. Nunca teve a impressão de que a grande maioria dos seus amigos online parecem viver vidas muito mais felizes e interessantes do que a sua? As fotos de férias são quase sempre maravilhosas, as festas parecem divertidíssimas, os pensamentos são do mais positivo possível, as famílias são sempre felizes e os sorrisos imaculados. A verdade é que as redes sociais permitem-nos editar a nossa realidade e aquilo que somos, mostrar o nosso lado melhor. Ninguém quer mostrar os seus defeitos, os dias negros, a solidão e os problemas aos seus 300 amigos – e quem o faz frequentemente provavelmente terá uma relação mais patológica ainda com a rede social. Sempre que der consigo a comparar a sua vida com a dos amigos, depois de olhar para o seu feed de notícias, e a achar que a deles parece bem mais animada, lembre-se que também eles têm lados negros e que aquela é a versão ‘Photoshop’ da realidade – as gordurinhas e borbulhas da vida desaparecem quase todas, no Facebook.