Rosácea: A “maldição” da pele vermelha

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    Pele do rosto muito vermelha, geralmente marcada por cicatrizes ou pústulas. Sensação de que se tem a cara a arder. Inchaço, causado pela acumulação de líquido. E uma vida inteira refém de um problema que, por não trazer risco de vida, é muitas vezes ignorado.

    Muitas pessoas acham que têm apenas a pele sensível, mas há um nome para isto: chama-se rosácea (palavra científica para ‘pele vermelha’) e afecta cerca de 40 milhões de pessoas. O ‘doente típico’ é mulher, tem entre 40 e 50 anos e a pele clara, mas a rosácea pode atingir qualquer pessoa.

    “A rosácea é uma doença circulatória do rosto em que há estagnação de sangue nos pequenos vasos capilares pelos mais diversos motivos”, explica a dermatologista Vera Monteiro Torres. “Pode ser ‘herança’ familiar, pode acontecer por inalação de cortisona ou porque a pessoa trabalha em ambientes muito quentes, por exemplo.”

    “É uma condição muito frequente, mas a grande maioria das pessoas não procura ajuda porque não quer ‘incomodar’ o médico”, nota o dermatologista alemão Thomas Dirschka, num encontro em Berlim para promover o conhecimento e despiste deste problema. “A rosácea não significa que se cora de vez em quando. É um incómodo, um problema, uma barreira entre nós e os outros.”

    Não tem nada a ver com outras condições como a psoríase, a acne ou o vitiligo, não é contagiosa e não é curável, mas é altamente controlável.

    O controlo passa, em primeiro lugar, por evitar os principais ‘detonadores de crises’: o sol, o stresse e as mudanças bruscas de temperatura ou temperaturas extremas, que aumentam o fluxo sanguíneo. Evite ainda comida picante, produtos lácteos, alguns citrinos ou alimentos com alto teor de histamina, como beringelas ou espinafres. Não use produtos de cosmética agressivos ou que exijam esfregar a pele para serem retirados. “Evite produtos de supermercado”, aconselha o dermatologista Giuseppe Micali, da Univ. de Catânia. “Peça ao seu dermatologista para lhe indicar um tipo de maquilhagem o mais suave possível.”

    Ah, e porque é que a rosácea se manifesta apenas na pele do rosto? “Temos vários tipos de proteína que controlam as inflamações”, explica o Dr. Dirscka. “Algumas são características da pele do rosto, e por várias razões apenas este tipo de proteína é afectado… É preciso encontrar um mecanismo para regular esta proteína, e é isso que os medicamentos fazem.”

    O QUE FAZER?

    Em primeiro lugar, procurar ajuda médica: o problema pode piorar, e pode mesmo influenciar a forma como vive. Hoje, a imagem tem cada vez mais importância: afinal, vivemos na era das ‘selfies’. “Todas as imagens que nos rodeiam são de perfeição”, nota a psicóloga Linda Papadoupoulos. Por vezes, o efeito do olhar dos outros pode ser devastador. Segundo o estudo ‘Face Values’, patrocinado pela empresa Galderma, 53% das pessoas com rosácea sentem que a doença afecta os seus relacionamentos. “O meu conselho?”, diz Linda, “Não deixe que a sua pele controle a sua vida. Não seja definida pela sua condição.”

    O QUE PODE AJUDAR:

    “Existem antibióticos e tópicos, mas o principal é conseguir tratar a alteração circulatória subjacente”, explica Vera Monteiro Torres. “Ou seja, queimar os capilares dilatados. O laser vascular e a luz pulsada são tratamentos altamente eficazes e podem fazer-se nas clínicas dermatológicas.” Existem mesmo laseres especiais para rosácea.

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