Regulador fiscal dos Estados Unidos acusa empresa portuguesa de fraude de 23 milhões que atingiu as comunidades latinas

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    Wings

    Reguladores de valores mobiliários federais apresentaram acusações de fraude civil contra três administradores e 12 funcionários da empresa portuguesa Wings Network, alegando que a empresa conseguiu obter cerca de 23.5 milhões de dólares mediante um esquema de pirâmide idêntica à da Telexfree.

    Numa queixa apresentada no tribunal federal de Boston, a Securities and Exchange Commission disse que a referida empresa estrangeira pretendia oferecer tecnologia digital e móvel para os seus clientes. A empresa teria vendido “pacotes de adesão” que prometiam retornos mensais garantidos em troca da recruta de amigos e familiares para pertencerem à rede.

    A Wings conseguiu recrutar milhares de latinos, brasileiros e portugueses para investir, usando o capital para pagar a pessoas anteriormente se tinham envolvido no esquema.

    Os directores da empresa supostamente teriam desviado cerca de 16,5 milhões de dólares para si próprios.

    “A operação da Wings Ntwork, com sede em Lisboa e na Madeira, reivindicava investimentos privados nas comunidades sobre produtos móveis visionários que eram apenas uma cortina de fumo para disfarçar um esquema de pirâmide clássico,” disse Paul G. Levenson, director do escritório regional da SEC Boston.

    Muitos investidores nas comunidades brasileiras, portuguesas e dominicanas imigrantes em Massachusetts aplicaram investimentos no esquema a partir de Novembro de 2013 até Abril de 2014, disse a SEC.

    O escritório do Secretário de Estado William F. Galvin, acusou formalmente a empresa esta semana de fraude civil. Galvin começou a receber reclamações sobre a empresa, ao mesmo tempo que investigava a fraude da empresa Telexfree nos Estados Unidos.

    Boston foi palco de alguns alegados esquemas de pirâmide promovidos através das redes sociais incluindo o Facebook e o YouTube, para convidar os participantes a estarem presentes em seminários em hoteis, que não eram mais do que comícios preparados para atrair mais negócios.

    Estes seminários tinham lugar em clubes e hoteis de Massachusetts, Connecticut, Califórnia, Flórida, Texas, Geórgia e Utah.

    Os directores terão alegadamente transferido milhões de dólares de empresas fantasma da Wings, nomeadamente a Tropikgadget FZE e a Tropikgadget Unipessoal LOA, ambos com sede em Portugal – depositando o dinheiro em contas pessoais, e também para a compra de um hotel.

    A SEC ainda desconhece a existência de advogados que representam a empresa ou os seus directores. A Tropikgadget suspendeu voluntariamente as suas operações nos Estados Unidos em Maio de 2014 após Galvin ter arquivado a queixa.

    No passado, tanto a Telexfree como a Wings Network negaram irregularidades. Os proprietários da Telexfree também têm processos pendentes em tribunal.

    A acusação da SEC cita 23 pessoas e entidades. A agência também obteve uma ordem judicial para congelar os bens dos directores e administradores, promotores, e outras entidades prelacionados com a empresa.