PSD teme perder um deputado da emigração. Resultados no dia 14

    903

    Passos

    As contas ainda não estão totalmente feitas no que respeita às recentes eleições.

    O partido Nós, Cidadãos! pode eleger, pelo menos, um deputado pelo círculo Fora da Europa, roubando um tradicional mandato ao PSD. Sem maioria no Parlamento, os sociais-democratas estão preocupados com as notícias que vão chegando dos dados da emigração e fazem contas à vida. Se assim for, além do PAN, também o Nós, Cidadãos! terá um lugar na Assembleia da República, podendo estes dois deputados vir a ser estrategicamente usados pela esquerda para fazer número frente à coligação PSD/CDS.

    A contagem dos votos dos residentes no estrangeiro é a última a ser feita, e é geralmente a mais demorada devido ao facto de os envelopes selados terem de ser enviados por correio para o Ministério da Administração Interna, em Lisboa. Por lei, há um desconto de dez dias desde o dia da eleição para que os votos dos quatro cantos do mundo tenham tempo de chegar a Lisboa e de ser contabilizados. Mas há sempre alguns que ficam pelo caminho.

    Acontece que este ano há um partido a baralhar as contas dos sociais-democratas que, em 2011, conseguiram ficar com os dois mandatos deste círculo, elegendo José Cesário (que depois foi para o Governo, dando lugar a Maria João Ávila) e Carlos Gonçalves Páscoa: o Nós, Cidadãos!, partido de Mendo Castro Henriques, que não conseguiu eleger nenhum deputado nos círculos eleitorais do continente, Açores e Madeira, mas que está a apostar tudo nos portugueses residentes no estrangeiro. O cabeça de lista dos Cidadãos por esse círculo eleitoral é José Pereira Coutinho, presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, um candidato muito influente naquela região que, segundo apurou o Observador, mobilizou milhares de novos eleitores em dissonância com os socialistas locais.

    Em 2011, inscreveram-se para votar na região da Ásia e Oceânia pouco mais de 7 mil eleitores, número que este ano subiu exponencialmente à boleia daqueles que se quiseram recensear para votar no Nós, Cidadãos!. Houve este ano mais de 15 mil novos recenseamentos só em Macau.

    Tudo indicadores que fazem a coligação PSD/CDS temer perder, pelo menos, um dos mandatos.

    Os dois círculos eleitorais da emigração elegem dois deputados cada. Normalmente, a Europa dá um deputado ao PSD e outro ao PS e o círculo de Fora da Europa vota maioritariamente no PSD.

    As contas são fáceis de fazer: se PSD/CDS perder um mandato da emigração (mantendo um deputado na Europa e outro Fora da Europa) a coligação passa a ter no Parlamento um total de 106 deputados. E se o Nós Cidadãos conseguir eleger um deputado, então a composição do Parlamento à esquerda (sem os 17 da CDU, por exemplo) poderá passar a ser 86 (os 85 atuais do PS mais um que ganhará no círculo da Europa) mais 19 (BE) mais 1 (PAN) mais 1 (Nós, Cidadãos!), o que perfaz um total de 107 deputados, ou seja, mais um do que a direita. Isto claro, se o eventual deputado que vier a ser eleito pela ala de Pereira Coutinho dos Cidadãos não se aproximar da direita.

    Em 2011, o PSD conseguiu eleger os dois deputados que estão em jogo no círculo Fora da Europa, com um total de 8.323 votos, sendo que o PS conseguiu apenas 2.714 votos no somatório de todos os emigrantes não europeus. Desses mais de 8 mil eleitores residentes no estrangeiro que votaram no PSD, mais de metade (4.369) vieram do Brasil – e é o receio de que esses votos desta vez não sejam contabilizados ou que possam não ser suficientes que está a assustar os sociais-democratas. O prazo, no entanto, termina só no dia 14 de outubro (dez dias depois da eleição).