Projecto Museográfico da Sinagoga de Ponta Delgada quer contar presença judaica nos Açores

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    Sinagoga de Ponta Delgada

    O projecto Museográfico da Sinagoga de Ponta Delgada foi recentemente apresentado pela historiadora Susana Goulart Costa e pretende relatar o registo da passagem dos judeus pelos Açores, bem como a história daquele templo.

    “O que eu vou propor é uma primeira abordagem ao circuito expositivo, tendo uma sala que vai ser o coração deste discurso expositivo que pretende contar a presença judaica nos Açores, com particular ênfase para a ilha de São Miguel, desde os primórdios, temos judeus registados nos Açores desde o Século XV até à actualidade”, afirmou Susana Goulart Costa, na apresentação feita hoje à tarde.

    A Sinagoga de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, é a mais antiga de Portugal, está localizada na baixa da cidade e passa despercebida já que na altura “a legislação portuguesa proibia que os templos que não fossem católicos tivessem símbolos públicos no exterior”.

    “Nós passamos pela Rua do Brum, n.º16, e parece-nos uma casa habitacional perfeitamente normal, onde residiam famílias tradicionalmente católicas. No seu interior temos uma sinagoga e tem o mérito de ser a primeira sinagoga construída em espaço português, no século XIX, depois da expulsão dos judeus em 1496”, relatou a historiadora e professora universitária.

    Segundo a historiadora Susana Goulart Costa, a comunidade judaica nos Açores “foi desaparecendo e ficando mais fragilizada” depois da II Guerra, altura em que o arquipélago “continuava a ser palco privilegiado para receber os judeus que tentavam fugir da Europa Nazi”.

    O projecto museográfico da sinagoga de Ponta Delgada pretende não só contar a história dos judeus em São Miguel, como nas restantes ilhas dos Açores.

    “Em São Miguel foi onde se conjugou mais, porque era a ilha com maior dinamismo económico, mas houve presença no Pico, no Faial e na ilha Terceira”, assegurou a historiadora.

    A recuperação deste templo judaico, designado como “as portas do céu”, nome traduzido do hebraico, custou cerca de 300 mil euros, sendo que 85% tiveram comparticipação de fundos comunitários e os restantes 15% ficaram a cargo da Câmara Municipal de Ponta Delgada.

    Além de ter comparticipado a recuperação das infra-estruturas que estavam degradadas desde 1970, a Câmara Municipal de Ponta Delgada é responsável pela gestão do espaço nos próximos 99 anos, apesar de o imóvel continuar a pertencer à comunidade judaica de Lisboa.