Padre luso-americano herói da 1ª Guerra Mundial homenageado em Massachusetts

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    Padre

    A Infantaria 26, apelidada de Divisão Yankee, foi a primeira unidade da guarda nacional a chegar à Europa durante a Primeira Guerra Mundial.

    Esta unidade era composta inteiramente de regimentos dos estados da Nova Inglaterra.

    “Tornaram-se um grande emblema do que os americanos poderiam fazer”, disse Dan Leclerc, que lecciona na UMass Boston, Tufts University e na Universidade de Brandeis. “Eram jovens locais, e foram a primeira divisão organizada, que primeiro estiveram no teatro da guerra.”

    Este ano comemora-se o 100º aniversário do início da I Guerra Mundial, um impasse sangrento lembrado por trazer novas tecnologias para o campo de batalha e que deixou um legado político que teve um impacto no resto do século 20.

    Ontem, o Dia dos Veteranos, 11 de Novembro, coincidiu com o aniversário do armistício de 1918, que pôs fim à guerra. O conflito foi em grande parte baseado na Europa, e os Estados Unidos não entraram na guerra até 1917.

    Contra um cenário de alianças elaboradas e ultra-nacionalismo, a Primeira Guerra Mundial foi desencadeada pelo assassinato do arquiduque austro-húngaro Franz Ferdinand. O que se esperava via a ser um conflito rápido logo se transformou numa guerra longa e brutal.

    A decisão da América de participar na guerra, em 1917, ajudou a virar a maré para os franceses e britânicos.

    A Primeira Guerra Mundial é frequentemente lembrada pela ampla utilização de novas tecnologias militares, incluindo metralhadoras, aviões, gás venenoso e tanques.

    Não há veteranos vivos da Primeira Guerra Mundial. O residente de West Virgínia, Frank Buckles, o último sobrevivente veterano americano da Primeira Guerra Mundial, morreu em 2011 com 110 anos.

    Capelão português

    entre os homenageados

     

    John B. DeValles, que imigrou com a sua família de S. Miguel, Açores, estava entre os soldados da Divisão Yankee que receberam a Cruz de Serviços Distintos do Exército dos Estados Unidos.

    DeValles cresceu em New Bedford e, eventualmente, tornou-se sacerdote. Trabalhou em várias paróquias portuguesas e fundou a primeira escola paroquial portuguesa na Igreja do Espírito Santo em Fall River.

    Em 1917, foi nomeado Cavaleiro de Colombo capelão anexado ao regimento 104 da 26ª Divisão de Infantaria dos Estados Unidos. Um ano depois, foi nomeado capelão no exército regular com o posto de primeiro-tenente.

    O Padre João, como era conhecido pelas tropas, repetidamente se expôs a artilharia pesada e a fogo de metralhadora, a fim de auxiliar na remoção dos feridos dos pontos expostos no avanço das linhas. Trabalhou por longos períodos de tempo com maqueiro na recuperação de homens feridos para locais seguros. Recebeu o Distinguished Service Cross por heroísmo extraordinário em acção perto de Apremont, o sector de Toul, França, no dia 10 de Abril de 1918.

    O Capelão De Valles também prestava serviço no sector de Chemin des Dames, no dia 11 de Março de 1918, mantendo-se com um grupo de feridos durante um bombardeamento inimigo pesado.

    Um não regressou à sua trincheira. Foi mais tarde encontrado gravemente ferido ao lado de um soldado morto a quem tentou prestar auxilio.

    O Padre luso-americano regressou aos Estados Unidos em 1919, e faleceu meses depois, com a idade de 41 anos.

    Para além do soldado Milhões, português que se distingiu na 1ª Guerra Mundial e de quem falamámos na última edição do Luso-Americano, este é outro caso de bravura lusitana.