LONG BRANCH, NJ | Escola Lusitânia exalta memória de Aristides de Sousa Mendes

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    Legenda em Anexo

    Foi um serão de surpresas em Long Branch. A noite de 2 de Março ficará para a história do clube português, e da sua Escola Lusitânia, como aquela em que lhes foi oferecida a Chave da Cidade. Mas não só. O documentário ‘I am alive thanks to Aristides de Sousa Mendes’ conheceu a sua estreia mundial durante o evento organizado pelos alunos da professora Raquel Rosa.

    O jantar, ao qual os membros da comunidade aderiram em grande número, foi uma das etapas do projecto desenvolvido ao longo deste ano lectivo pelos alunos do 8.º e 9.º anos da Escola Lusitânia do Portuguese Club of Long Branch. “O objectivo é dar a conhecer aos nossos jovens a obra de Aristides de Sousa Mendes”, explicou Raquel Rosa, referindo-se ao antigo Cônsul de Portugal em Bordéus que, durante a II Guerra Mundial, foi responsável pelo salvamento de mais de 30 mil vidas.

    A Sousa Mendes Foundation foi parceira da escola portuguesa de Long Branch e, além de emprestar o seu lema ‘Salve uma Vida, salve o Mundo’ ao projeto, ainda fez a estreia mundial do documentário ‘I am alive thanks to Aristides de Sousa Mendes’ no clube português da cidade. O presidente da fundação, Louis-Philippe Mendes, neto do antigo diplomata português, foi um dos presentes no jantar e na palestra, confessando-se “im-pressionado” com a noite organizada pelos jovens estudantes luso-descendentes.

    A exibição do documentário foi apenas um dos pontos altos da noite. Outro momento marcante foi o testemunho de Joan Halperin, cuja família foi salva pelos vistos passados por Aristides de Sousa Mendes. Halperin contou como, antes de se mudarem para os EUA, os pais e a irmã viveram durante dois anos em Portugal, fugidos da guerra e “adoptados” por um casal da Figueira da Foz.

    Outra das surpresas da noite chegou até Raquel Rosa pelas mãos do mayor de Long Branch. Em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos pela comunidade portuguesa, Adam Schneider entregou à professora e ao clube português a Chave da Cidade. Também ele judeu, Schneider admitiu desconhecer o legado de Sousa Mendes. Revelou-se feliz por ter passado a conhecer a história deste herói lusitano e da humanidade. “É sempre bom quando aprendemos alguma coisa. E neste caso aprendi como alguém do vosso povo fez algo de tão grandioso pelo meu povo”, afirmou, dirigindo-se à plateia maioritariamente portuguesa.

    Pedro Oliveira, Cônsul-Geral de Portugal em Newark, foi outro dos intervenientes. Durante a palestra, que contou com os contributos de todos os convidados já referidos e questionado pelos alunos da Escola Lusitânia, o diplomata elogiou a obra de Sousa Mendes e respondeu: “Nem todos teriam a coragem que ele teve em desobedecer às ordens directas do Governo português da altura. Eu próprio, só perante aquelas circunstâncias específicas, saberia que decisão tomaria”.

    João Crisóstomo, estudioso do legado de Sousa Mendes que já trouxe a Nova Iorque o livro dos vistos passados pelo antigo cônsul, foi outro dos oradores da noite. E foi com simplicidade que explicou aos presentes a importância dos actos de Sousa Mendes. “Alguém que arriscou a sua própria vida para salvar muitas vidas”.

    Quanto aos alunos da Escola Lusitânia, além de toda a pesquisa necessária à elaboração do pequeno video que abriu a noite, com o título ‘Salve uma Vida salve o Mundo’, já tiveram a oportunidade de visionar o filme ‘O Cônsul de Bordéus’, protagonizado por Vítor Norte.

    A próxima etapa neste projeto será uma visita de estudo a Washington, DC, onde os alunos da professora Raquel serão recebidos por Nuno Brito, Embaixador de Portugal nos EUA, e terão ainda a possibilidade de visitar o Museu do Holocausto.

    Depois de ter trazido a estátua de cera de Cristiano Ronaldo ao Museu Madame Tussauds de Nova Iorque, os alunos da escola portuguesa de Long Branch continuam empenhados em dar a conhecer ao mundo os heróis lusitanos. E ASM está entre os maiores.