Fairbanks, Alasca: ‘Esta foi uma etapa relativamente curta’

    1966

    Em Fairbanks, AK, no fim da terceira etapa. …e com ela já lá vão cerca de 5.800 milhas (9.300 km) de estrada feitas

    Esta foi uma etapa relativamente curta (cerca de 1.900 milhas / 3.000 km), e tal como a segunda, ela teve duas partes: uma primeira, desde Edmonton, AB a Dawson Creek, BC, que se pode caracterizar como o final do “troço de ligação” ao princípio da Alaska Highway, e depois a Alaska Highway propriamente dita. (Tecnicamente, a Alaska Highway termina em Delta Junction, AK. A continuação da estrada desde este ponto até Fairbanks oficialmente já faz parte da Richardson Highway. O facto é que muito pouca gente liga a esta especificidade!)

    O que se viu entre Edmonton e Dawson Creek pouco ou nada se diferenciou do que já se tinha visto até Edmonton: planícies e planícies, muito cereal, tudo muito a direito… Na verdade, na verdade, tudo até um pouco para o monótono.

    A curta estadia em Dawson Creek ficou marcada pelas “tarefas da praxe” para quem vai entrar na Alaska Highway: fotografias nos marcos da Milha 0 (é verdade, plural, pois existem dois marcos para a Milha 0 da Alaska Highway; segundo me disseram, um deles é o correcto, o outro é o fotogénico!); visita ao museu da cidade na antiga estação de comboio (o qual tem uma boa secção sobre a construção da estrada); atestar de combustível; et cetera.

    …e depois entrei na Alaska Highway! Quase 1.500 milhas (2.400 km) de mítica e fascínio. Algumas secções, geralmente á beira de lagos ou de montanhas, são absolutamente lindas de morrer. …e ele há muito lago e muita montanha!! Esta parte do percurso ficou também marcada pela minha reentrada nos US num posto fronteiriço vulgarmente chamado por Port Alcan.

     

    Quanto a eventos curiosos, peripécias, dificuldades, e relacionados, tenho que começar pela história do amanhecer no parque de campismo em Liard River, BC. Nesse dia acordei ao nascer do sol com o barulho de alguns animais ao lado da minha tenda. Mas eles estavam tão perto que eu ouvia-os a respirar. Como não podia deixar de ser, pensei logo o pior: são ursos e estão a cheirar a tenda para ver se há comida! Entrei imediatamente em pânico. Nem me mexia no saco-cama. Mas pior: estava aflitíssimo para ir à casa de banho! Pouco depois percebi-me que eram herbívoros a pastar na relva à volta da tenda. Aqui a coisa melhorou um pouco, mas o certo é que continuava aflito para ir à casa de banho. Felizmente, depois de um bocado, a manada lá decidiu ir cortar a relva do “vizinho” da frente, e aqui eu finalmente pude confirmar que se tratava de um grupo de, para aí, meia dúzia de bisontes que decidiu tomar o seu pequeno-almoço naquela manhã no parque de campismo. …e pouco depois lá fui a correr à casa de banho!

    Ainda no tópico das curiosidades, esta etapa ficou também marcada por um aumento bastante significativo na “carga” da Mula. É que em Edmonton, AB, comprei um conjunto de pneus de “tacos” (pneus para fora de estrada), mas como os pneus de estrada que tinha instalados ainda estavam mais ou menos bons, decidi “carregar” os pneus novos na “bagageira” da mota para os instalar depois em Fairbanks. Ver o “conjunto” pela estrada fora, com aquela pilha de carga atrás, deveria ser uma imagem realmente curiosa! De resto, no que toca à Mula, ela continua a portar-se como esperado: sempre a dar-lhe!

    Quanto à fauna, a diversidade de animais vistos uma vez entrado na Alaska Highway tem sido algo espectacular: bisontes à mão cheia; para aí uma meia dúzia de ursos (incluindo uma mãe com uma cria); cabras de montanha; um alce; e até uma raposa. Aliás, a possibilidade de chocar com animais selvagens na estrada é um perigo constante na Alaska Highway.

    Quanto a dificuldades, a maior de todas nesta etapa foi o frio. Mais uma vez! Em Dawson Creek, quando saí para a estrada (pouco antes das 7H da manhã), estavam 37 graus F (quase, e repito, quase 3 graus C). Acordar de manhãzinha numa tenda com temperaturas destas, digamos que não é um prazer muito grande… E quando chove…!Dalton Highway

    Estamos feitos em relação à terceira etapa. Olhando para a frente, agora são cerca de 10 dias a passear pelo Alaska (incluindo uma “visita” ao Circulo Polar Árctico, via a também mítica Dalton Highway). Até para a semana, então já Anchorage! Cheers.