ESTADOS UNIDOS | Luso-americana Nathalie Pires, de New Jersey, cantou domingo no Carnegie Hall em Manhattan

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    A cantora Nathalie Pires, de New Jersey, estreou-se domingo no palco principal do Carnegie Hall – o Auditório Stern, ‘pela mão’ do maior poeta português de todos os tempos, Luís Vaz de Camões. A intérprete, considerada pelo Carnegie Hall “uma das mais importantes da nova vaga do fado”, fez parte do espectáculo ‘The Music of Christopher Tin – The Drop of Dawn’, que reuniu centenas de artistas em palco – num autêntico mosaico multicultural.

    “Foi uma maneira fabulosa de representar Portu-gal”, reconheceu Pires, no final do espectáculo, falando em exclusivo ao jornal LUSO-AMERICANO. “Estou super feliz.”

    A cantora fez duas intervenções em português, tendo os textos (incluindo ‘Passou o Verão’, de Camões) sido seleccionados pelo compositor Christopher Tin – cujo trabalho na área musical já lhe rendeu duas estatuetas Grammy. Depois de ter feito uma parceria com Dulce Pontes, o norte-americano de origem asiática optou por convidar Natha-lie Pires para o projecto que levou 4 anos a elaborar e que culminou com o espectáculo de domingo.

    Na edição da revista ‘Playbill’ de Abril, dedicada ao concerto de música clássica, são “a voz intensa” e “a emoção” que deixa transparecer em palco os factores que a internacionalizaram, “conquistando de forma definitiva a imprensa e o público.”

    Nathalie Pires começou a cantar fado no Clube Português de South River, fascinada pela voz de Amália Rodrigues. Foi construindo de forma paulatina uma das mais sólidas carreiras de fado de uma luso-descendente, com convites, hoje, para ir aos mais variados cantos do mundo.

    A jovem intérprete disse ter estado “muito nervosa” durante as três semanas que anteciparam a sua ida ao Carnegie Hall de Manhattan, na 57ª Rua – sabendo do imenso historial da casa de espectáculos, por onde já passaram algumas das maiores vozes e talentos da música. “Mas hoje senti que estava a representar Portugal e tudo correu como previsto. Foi uma grande emoção ter cantado na nossa língua.”

    Entre a assistência que enchia o amplo auditório, com capacidade para cerca de 3 mil pessoas, sentou-se o cônsul-geral de Portugal em Newark, NJ, Pedro Oliveira. “É magnífico ver uma fadista luso-americana, ainda por cima – acho que há que distinguir também esse facto, num dos palcos principais dos Estados Unidos, Nova Iorque, a cantar na nossa língua”, disse o diplomata ao jornal LUSO-AMERICANO, acrescentando: “É um motivo de imenso orgulho e prazer ver uma artista como a Nathalie Pires fazer parte de um espectáculo tão interessante e bem conseguido como este.”

    Nathalie Pires revela que entra em estúdio “no verão deste ano” para o registo do seu próximo trabalho discográfico e em digressão “em Dezembro” pela Euro-pa e América, “com datas já confirmadas na Alemanha, Bélgica e Holanda. O LUSO-AMERICANO terá a notícia em primeira mão.”

    Parafraseando o mítico Frank Sinatra: “If you make it here, you make it any-where.”