ACTUALIDADE | Nasceu há 106 anos a menina de Marco de Canaveses que conquistou Hollywood (e o mundo)

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    Carmen-Miranda-stampNasceu há exactamente 106 anos a portuguesa de Marco de Canaveses que, ao emigrar para o Brasil, viria a conquistar Hollywood e o mundo – via carreira musical e cinematográfica. Carmen Miranda, ou Maria do Carmo Miranda da Cunha, nome de registo, viu pela primeira vez a luz do sol a 9 de Fevereiro de 1909, em Marco de Canaveses, uma cidade portuguesa no distrito do Porto, região norte e sub-zona do Tâmega. Seria baptizada na igreja da freguesia de Várzea da Ovelha e Aliviada, segunda filha do barbeiro José Maria Pinto da Cunha e de sua mulher, Maria Emília Miranda. No Brasil, mais tarde, para onde emigrou com tenra idade, ganharia o nome de Carmen “graças ao gosto que seu tio Amaro tinha por óperas”, pode-se ler na sua biografia.

    O pai de Carmen instala-se no Rio de Janeiro e em 1910 seguem a mulher, Carmen (com menos de 1 ano de idade) e a irmã Olinda, que viria a morrer em 1931. Ironicamente, Carmen Miranda nunca voltaria a Portugal, onde a câmara de Marco de Canaveses, contudo, deu o seu nome a um museu municipal.

    A carreira da cantora e actriz fez-se entre 1930 e 1950, no Brasil e posteriormente nos Estados Unidos, onde trabalhou na rádio, teatro de revista, cinema e TV. ‘Ta-hi!’ foi o seu primeiro grande sucesso, fazendo dela – em 1930 – a cantora mais popular na terra do samba.

    Nos EUA, Carmen Miranda começou por fazer carreira na Broadway, mas na década de 40 chegava em grande a Hollywood e à Sétima Arte. Depressa se transformaria numa estrela internacional, chegando mesmo a ser a mulher mais bem paga na América (com salário superior a 200 mil dólares/ano).

    De 1940 a 1953, a portuguesa entrou em 14 filmes ‘Made in Hollywood’, na sua maioria para o gigante 20th Century Fox, passando pelos mais importantes programas de rádio, TV, casas nocturnas, casinos e teatros da América.

    Em 1947, contrai matrimónio com o norte-americano David Alfred Sebastian, de Detroit, que, segundo os seus biógrafos, terá levado a estrela ao mundo do alcoolismo e dependência de estupefacientes. Carmen engravida em 1948 mas sofre um aborto espontâneo depois de uma apresentação e nunca se tornaria mãe.

    Carmen Miranda morre no auge da sua trajectória artística, aos 46 anos, na mansão do número 616 da Bedford Drive em Beverly Hills, na Califórnia, onde vivia. Vítima de um colapso cardíaco fulminante – a 5 de Agosto de 1955.

    O corpo da cantora, trasladado para o Brasil, é enterrado no Rio de Janeiro com honras de estado; o seu caixão seguiu numa viatura aberta do corpo de bombeiros do Distrito Federal envolto com a bandeira do Brasil, escoltada por batedores da polícia. Ficou sepultada no cemitério São João Batista. As exéquias fúnebres, com meio milhão de pessoas, foram a maior manifestação popular do género feita no Rio de Janeiro.