Educação continua em águas agitadas na cidade de Newark

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Newark e as suas crianças vivem tempos de apreensão. Depois da última reunião do conselho escolar, onde a superintendente Cami Anderson abandonou a sala repleta de encarregados de educação e professores que protestavam contra o seu programa de reorganização escolar, o “one Newark Program”, sucederam-se diversos episódios que deixaram ainda mais apreensivos os encarregados de educação e os principais lesados em todo este processo, as crianças, numa verdadeira corda bamba, onde interesses de vária ordem parecem sobrepor-se ao significado da palavra educação e aos seus princípios básicos.
Os episódios sucedem-se.
Depois de vários directores escolares terem sido suspensos por se manifestarem contra o programa, chegou agora a vez de um responsável da associação de pais e encarregados de educação da escola, Ivy Hill, ter sido preso e acusado de assalto a um administrador escolar.
Outro episódio caricato teve como epicentro as más condições climatéricas que assolaram a região de Newark nas últimas duas semanas. Se esta semana os pais em Newark foram avisados  que as escolas estariam fechadas, o mesmo não aconteceu a semana passada quando a ordem foi dada já com crianças dentro dos autocarros e a baterem à porta de escolas fechadas, uma manifesta irresponsabilidade que afectou os estudantes sujeitos em muitos casos a perigosas viagens.
A realidade dos factos é que episódios como este seriam impensáveis em outras cidades, mas acontecem em Newark.
Na passada quarta-feira, Cami Anderson fez-se ouvir num artigo do Huffington Post com o titulo sugestivo de “pobreza, política, racismo e reformas escolares”. Fora de tempo a crónica coloca a nu a triste realidade das crianças de Newark. Comunidades no limiar da pobreza e responsáveis pouco responsáveis na abordagem do que realmente é necessário fazer para alterar o rumo dos acontecimentos que levam o estado de New Jersey a segurar as rédeas escolares em Newark há duas décadas, sem resultados.
Perante este cenário e com exemplos de modelos de sucesso nas escolas de Newark, a maioria delas no Bairro Leste, não seria preferível comunicar eficazmente medidas entre escolas para que modelos de sucesso tivessem seguimento, em vez de balancear jogadores(estudantes) sem uma táctica bem definida?
As crianças de Newark estão a sofrer, e esta complexa teia parece não ter fim, até ao próximo dia 14 do corrente, a data limite de inscrições no “One Newark Program”.
Os pais centram agora atenções na proposta de lei S966 apresentada pelos senadores Ronald Rice e Shirley Turner, e secundada pelas senadoras Tereza Ruiz e Nia Gill, que visa a implementação de votações através de referendos antes do encerramento de escolas. Será este um último recurso?
A educação em Newark continua a viver em águas agitadas.