CRANFORD, NJ | Miguel Garcia criou há cinco anos a Heartwood Restoration onde prossegue na arte de restaurar valiosas antiguidades

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    Deixar o prestigioso lugar de Conservador Assistente de um dos museus mais emblemáticos da cidade de New York, para formar o seu próprio atelier ainda por cima numa zona talvez pouco exposta a actividades do género, não parece à partida uma decisão fácil de tomar. Mas a determinação do Miguel Garcia foi mais longe, e não está arrependido de há cinco anos ter dado um novo rumo à sua vida para continuar por conta própria a actividade que abraçou por opção e para a qual se preparou do ponto de vista académico.

    Foi no início do ano de 2010 que fomos até Cranford assistir ao corte da fita do Heartwood Restorations, nome que o Miguel deu ao seu novo atelier, onde voltámos cinco anos depois para a celebração deste aniversário.

    E foi aí que encontrámos um Miguel sorridente entre as muitas peças de mobília antiga e valiosas obras de arte à espera que chegue a sua vez.

    “Trabalho não falta, o tempo é que é escasso para o completar dentro dos prazos”, disse o Miguel, acrescentando que não é fácil encontrar pessoal especializado para trabalhar nesta actividade.

    E pelo que o Miguel ia dizendo enquanto mostrava as várias obras para serem restauradas, deu também para verificar, e isso mesmo foi demonstrado, que se trata de um trabalho tão minucioso que só mesmo quem está devidamente especializado, e que o faz por gosto, pode fazer retornar as obras ao seu estado original.

    “Há obras tão antigas que tenho de recorrer à história para ficar a saber os pormenores da sua originalidade”, diz o Miguel.

    O sonho de Miguel Garcia na escola era ser veterinário, mas um súbito interesse pela arte e história da arte transformou as suas expectativas académicas e rumou para outro caminho quando descobriu o crescente mundo da Conservação do Património de Arte.

    Natural de Lisboa, em 1996 o Miguel concluiu o curso na escola técnica/profissional designada “Escola Profissional de Recuperação do Património (EPRP), uma escola especializada na conservação e restauração de obras de arte. Quando teve de escolher, a opção foi para as madeiras, no que se especializou, e a partir daí concentrou-se em “Móveis e Objectos de Madeira”, área que engloba o estudo dos tratamentos e conservação.

    Anos mais tarde voltou para a mesma escola como professor onde leccionou “Tecnologias da Madeira” durante oito semestres.

    Em 2002, depois de completar o seu mestrado com concentração em Conservação de Móveis e Objectos de Madeira, na Universidade Nova de Lisboa, foi convidado para se especializar na conservação dos painéis de cavalete de madeira, principalmente focando as primeiras pinturas europeias de mestres portugueses e flamengos, que fazem parte de colecções de alguns museus portugueses.

    De 2007 a 2009 trabalhou no Museu Metropolitano de Arte, em New York, como Conservador Assistente, fazendo parte de projectos interessantes sobre estudo e conservação de obras de arte em madeira policromada.

    Há cinco anos deixou o Museu e criou o seu próprio atelier em Cranford, a que deu o nome de Heartwood Restorations, onde o seu percurso está a ser continuado e tem nos seus objectivos crescer ainda mais nos padrões académicos e associar-se a instituições de arte em toda a América e em todo o mundo.

    A Heartwood Restorations está situada em 29 Alden Street, em Cranford, com o telefone