Comando avançado norte-americano para a África pode ficar sediado nas Lajes

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    O comando avançado norte-americano para a África (AFRICOM), que poderá ter a sua única base avançada na Base das Lajes, é um braço armado de crescente importância nas Forças Armadas dos Estados Unidos.

    Um porta-voz do comando, Fredrick Harrell, recusou comentar a mudança, dizendo à agência Lusa que “não seria apropriado comentar legislação que está pendente.”

    A Câmara dos Representantes vai votar a instalação de um comando avançado do AFRICOM na Base das Lajes ainda este ano.

    A proposta legislativa, chamada ‘Africa Counter Terrorism Initiative Act’, foi avançada pelo congressista republicano Devin Nunes e tem o objectivo de deslocar as forças do AFRICOM da Alemanha para o território continental dos Estados Unidos e transformar as Lajes na sua única base avançada.

    O AFRICOM é um dos seis comandos geográficos das forças armadas americanas e é responsável por todas as operações, exercícios e esforços de cooperação que o Departamento de Defesa tem no continente africano.

    Em Março deste ano o seu responsável, o General David Rodriguez, descreveu a sua unidade perante o Comité das Forças armadas do Senado como “um comando geográfico extremamente activo”.

    Segundo este responsável, os militares norte-americanos tiveram 546 actividades (um termo que engloba vários tipos de operações) no continente em 2013. Em 2008, o ano em que foi estabelecido, o comando tinha estado activo apenas 172 vezes, o que representa um crescimento de 217 por cento.

    A maior parte destas actividades são missões de treino e aconselhamento a parceiros locais. Muitas vezes essas parcerias traduzem-se numa ajuda financeira e de cedência de equipamento.

    As forças norte-americanas têm, no entanto, participado também em ataques aéreos, em ataques nocturnos para raptar suspeitos de terrorismo, em operações de evacuação em países em conflito e auxiliado tropas francesas e africanas a deslocar-se até zonas de combate.

    Quanto à dispersão geográfica, uma investigação do blogue “TomDispatch”, publicada no ano passado, revelava que estas forças armadas tinham estado envolvidas em 54 países africanos, de um total de 49, nos anos de 2012 e 2013.

    Ainda assim, um porta-voz do AFRICOM desvalorizou a importância destas operações e, em declarações ao TomDispatch, disse que a pegada norte-americana no continente se reduz “a uma pequena presença de pessoal que leva a cabo compromissos de curta duração.”

    Em Dezembro do ano passado, a organização previa 418 actividades para 2014, número que inclui um aumento no numero de operações e missões de formação.

    A proposta de lei está agora no Comité das Forças Armadas da Câmara dos Representantes e tem três opções para ser aprovada.

    “Primeiro, pode passar como uma lei individual, o que significa que é aprovada no Comité, aprovada na Câmara dos Representantes, aprovada pelo Senado e depois ractificada pelo Presidente Obama”, disse o director de comunicações de Devin Nunes, Jack Langer, à agência Lusa.

    A segunda opção, explicou Langer, é que “a lei é incluída na lei de Orçamento de Defesa [Defense Appropriations bill] que será votada este Verão” e pode, finalmente, “ser incluída na lei de Operações de Defesa [Defense Authorization bill], que será provavelmente também aprovada este verão.”

    O último ponto desta proposta legislativa estabelece que, “com efeito pelo menos até ao fim do avaliação quadrienal da defesa em 2018, a Base das Lajes deve manter a sua operação 24 horas por dia, ao mesmo nível de prontidão de 2012 ou acima.”

    No ano passado, os norte-americanos previam uma redução do seu contingente das Lajes em mais de 400 militares e 500 familiares, com efeitos no Verão de 2014.