A ditadura dos produtos “light”

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    “Light”, “Diet”, “Zero”, “Magro”, são alguns dos rótulos aos quais raramente uma “dieta” poderá escapar.

    Iogurtes, bolachas, cereais, queijo, fiambre, refrigerantes, batatas fritas e muitos outros alimentos fazem parte deste “novo mundo” alimentar que tornam uma ida ao hipermercado numa experiência algo complexa.

    A questão essencial é a seguinte: Os produtos light são realmente ajudas efectivas na perda ou gestão do peso?

    O que se pode dizer a este nível é que a perda de peso, sendo um processo eminentemente de cariz comportamental, tem de cumprir um requisito obrigatório: gastarmos mais calorias do que as que ingerimos!

    Mesmo que o discurso do “mais do que as calorias, importa de que alimentos elas vêm” seja totalmente correcto, para emagrecer “convém” fazer um corte substancial no aporte calórico que têm vindo a fazer até então.

    Mas então em que produtos esta redução de açúcar e gordura pode ser pertinente? É uma questão para a qual podem existir várias respostas nenhuma delas totalmente certa ou totalmente errada.

    No caso dos iogurtes, a sua versão magra sem açúcar permite eliminar gorduras e açúcares desnecessários e respectivas calorias, “condensando” o que realmente interessa ou seja, o seu teor proteico e de cálcio, nutrimentos com um papel importante no processo de perda de peso e massa gorda. Logicamente que esta substituição é feita à custa da ingestão de edulcorantes, mas se existe alimento que eventualmente consegue compensar o recente efeito (potencialmente) prejudicial dos adoçantes na flora intestinal é mesmo o iogurte. Já o queijo na sua versão magra e o fiambre nas opções de frango e peru permitem igualmente condensar o seu teor proteico poupando-nos a ingestão de algumas calorias e gordura, que podem ser posteriormente aplicadas em alimentos fornecedores das gorduras que mais nos interessam como o peixe gordo, frutos gordos e sementes. É certo que muitos dos alimentos light possuem alguns aditivos associados, com efeitos não tão benéficos.

    Nos produtos light, o principal inimigo está muitas vezes na falaciosa mensagem publicitária que é transmitida. A título de exemplo, a gelatina nunca teve gordura na vida por isso o facto de estar escrito na embalagem “0% Gordura” não lhe retira os excessivos 20% açúcar que possuem em muitos casos. A bolachinha integral para aumentar a quantidade de fibra teve igualmente de aumentar o seu teor de açúcar e gordura sob pena de ficar um “alimento” com um sabor e textura insuportável e as batatas fritas light mesmo com menos 33% de gordura continuam a ser um lixo alimentar. Toda esta conversa é igualmente válida para muitos “produtos” (não lhes chamemos alimentos) como barras de cereais, batidos, substitutos de refeição e afins à venda em “lojas naturais” e destinados à perda de peso, cuja quantidade de açúcar e gorduras hidrogenadas é uma autêntica catástrofe.

    Assim, a escolha de produtos light/zero/magro deve ser sempre criteriosa tendo como pano de fundo que “alimentos” que possuam uma numerosa lista de ingredientes devem ser apenas uma pequena parte da sua alimentação diária.

    Por isso o lema na alimentação deverá ser sempre ‘keep it simple’ e se utilizar alimentos light lembre-se sempre que em alguns casos podem ajudar mas não vão fazer exercício nem perder peso por si!

    Mensagens a reter:

    – Utilize os produtos light da mesma forma que utilizaria a sua versão original. Se por achar que sendo light, pode duplicar a dose mais vale “ficar quietinho”;

    – Nunca se esqueça que hortícolas, leguminosas, fruta, frutos gordos, sementes, carne, peixe, ovos, azeite, arroz, água são tudo exemplos de alimentos sem lista de ingredientes e sem versões light, nos quais deve assentar grande parte da nossa alimentação.