Medicina tradicional chinesa: ventosaterapia

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As marcas redondas nas costas do nadador Michael Phelps têm um nome: Ventosaterapia

PhelpsVários atletas têm vindo a aplicar uma técnica de vácuo quando sentem dores musculares, embora haja poucos ensaios clínicos sobre a validade do método tradicional muito usado na China.

Durante estes dias foi impossível não reparar nas marcas redondas e roxas que o famoso nadador norte-americano tinha no ombro direito e nas costas. As manchas são hematomas, mas, como dizem as notícias de vários jornais internacionais, o que se vê é o resultado do cupping, uma técnica usada na medicina tradicional chinesa e que em português se chama “ventosaterapia”.

O nome ajuda a perceber o princípio do método. A ventosaterapia passa por colocar uma espécie de copos na pele para criar sucção. O processo pode ser feito de várias formas. Uma delas é aquecer o copo e deixá-lo arrefecer colado à pele. Ao arrefecer o copo, o ar lá dentro também arrefece. Por isso, esse ar ocupa menos espaço e provoca vácuo, fazendo o efeito da ventosa. O vácuo faz puxar a pele e, supostamente, aumenta a circulação sanguínea naquela região.

As origens desta técnica são antigas e estão longe de se circunscrever à China. A medicina tradicional defende que esta técnica pode ser usada para tratar a anemia, a artrite, eczemas, dores de cabeça, alergias, entre outros problemas de saúde. Um estudo de revisão da literatura científica publicado na revista PLOS ONE, em 2012, mostrava que este método, aliado a outros da medicina tradicional chinesa, aumentava o número de doentes curados para quatro problemas: a doença viral zona, a paralisia facial, a acne e a espondilose cervical. Mas os autores do estudo, do Centro para a Medicina Chinesa Baseada em Provas da Universidade de Medicina Chinesa, em Pequim, defendiam que “são necessários mais ensaios clínicos rigorosos sobre o uso desta técnica para outras doenças”.

Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Michael Phelps e outros atletas da equipa norte-americana, como o ginasta Alexander Naddour, estão a usar a técnica para aplacar as dores e as inflamações musculares. “Este tem sido o segredo que tenho guardado durante este ano” disse o ginasta, citado pelo New York Post.